Essa é uma das coisas mais absurdas que já ouvi! Então quer dizer que agora a moda entre as crianças e adolescentes é usar pulseiras coloridas que simbolizam “recompensas” a quem conseguir quebrá-las? Isso só prova que hoje não existe mais infância, que a inocência e ingenuidade, antes características dessa fase, estão perdidas em algum lugar, senão mortas para sempre.
Por volta dos meus 11, 12 anos – quando eu sim era uma criança realmente inocente, que ficava chocada ao ver um beijo de língua entre o pessoal de 15 anos e se assustou com o primeiro selinho que deu na vida -, eu e minhas amigas usávamos essas mesmas pulseiras que hoje dizem ser as tais “pulseiras do sexo”, inventadas pelos ingleses, e, para nós e todas as meninas da nossa idade, elas não passavam do que elas realmente são: simples acessórios coloridos. Na época a moda eram os chamados clubbers, que usavam roupas e adereços bem coloridos, cabelos malucos e piercings que brilhavam na luz negra e no escuro e, por isso, penso, surgiram as tais pulseiras coloridinhas, embaladas pelo momento “arco-íris”. Nossa diversão era comprar mais e mais pulseiras, até quase cobrir os braços e, quanto mais coloridas, melhor!! Quando tínhamos cores repetidas, trocávamos umas com as outras, em busca das cores mais diferentes e mais difíceis de encontrar à venda. Era uma verdadeira coleção de pulseiras coloridas e uma disputa de quem tinha mais, assim como aconteceu com os papéis de carta em outra época (quem tem a minha idade lembra). Era isso. Não passava disso.
O que passou foi a moda dos clubbers e, com ela, a moda das pulseiras coloridas, agora resgatada por crianças avançadinhas, que tentam antecipar o que não tem que ser antecipado, o que tem tempo para ser vivido. E, mais que isso, esses “rebeldes sem causa” estão destruindo uma brincadeira realmente infantil e inocente, inventada há tempos por uma geração, talvez uma das últimas, que de fato soube o que é a infância, o que é ter uma. Hoje, essas gerações, a minha e as anteriores, podem sentir saudade de uma época que viveram e que não se repete nunca mais, enquanto a geração da “pulseira do sexo” não terá do que se lembrar, pois, com sua obsessão pelo crescimento prematuro, já viveu o que os adultos vivem, o que estarão vivendo um dia de verdade: sexo, beijo, maquiagem, unhas feitas etc. Você, assim como eu, da geração das pulseiras coloridas e dos papéis de carta, pode olhar para trás e pensar: “eu tive infância”.
terça-feira, 2 de março de 2010
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